...

Logo pela manhã, quando o sol começa a me olhar pela janela, nem penso em acordar. Desperto, e abro os olhos pros compromissos reais. É como se aquela fosse a hora em que minha mente consegue chegar o mais perto possível de uma mente comum. Mas logo fico agoniado, com o cabelo revirado me flagrando em novos surtos.

 

Quando a noite chega, eu só quero estar em casa deleitando-me com o ócio, brindando a solidão e contemplando o meu desejo, que parece teimar em opor-se ao real. Refugiar-me do peso que o mundo me imputa. Ser contagiado pela sensação de ver minhas pretensões empenhadas simplesmente em afugentar certos olhos da minha mente. Mirabolar o futuro; maquiar o presente.

 

Sempre que a luz dá uma trégua, as trevas resgatam meus desejos mais misantropos. Minha vontade de me ver só, de concentrar meus pensamentos em um foco apenas. Minha atração a tudo que me aflige em todos os momentos. Minha vertigem interior.

 

Como acontece em algumas manhãs, às vezes essa cena de desejos e pensamentos oprimidos dá lugar a um alguém mais descontraído, que só quer afugentar um pouco das dores que o seguem por seu caminho. Ele não enxerga tantos riscos, nem se vê tão atrelado a qualquer sentimentalismo.

 

Só que ele não passa de uma anestesia. E, depois que o efeito passa, depois que o corpo adormece, tudo volta a ser igual, e a dor que por ora fora suprimida reaparece com força acumulada. Nessas horas eu acordo. Vou a geladeira. Volto. Ligo a televisão. Desligo. Então me deito, simplesmente. Afinal, nem o mundo parece girar. É domingo. De manhã.

“Eu provo sempre o vinagre e o vinho, eu quero é ter tentação no caminho. Porque o homem é o exercício que faz” (Raul Seixas – Eu sou egoísta)

Postado por Jean Laurindo às 11h13
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Algo arquivado que tenha relação com o dia da mulher:

Sou fascinado por uma “belchiorense”, morena, com olhos claros lindos que me encantam, há certo tempo, uma vez por ano, quando a vejo, em geral na praia. Não sei bem o que se passa entre nós, mas ela me encanta há um tempo e deixa na boca um gosto que ainda há algo por vir.

Outra, de Blumenau, prendeu minha mente e meu desejo por um longo tempo; e quando levou parte consigo aflorou a parte mais melancólica de minha personalidade. Não hesito em reconhecer tudo sobre ela, mas hoje a distância, vagamente, ocupa a maior parte do espaço deixado.

Ainda garoto, encantei-me com uma outra morena que marcou parte da adolescência, apesar do pouco tempo junto. Namoro de colégio, primeira namorada, e todo o encanto que não sei explicar, mas que lembro e sinto até hoje.

Na 8ª série fui gamado em uma morena da minha idade, que foi morar em Blumenau e se afastou demais. Foi um encanto unilateral, mas sei que signifiquei. Percorri todos os caminhos necessários a quem a desejava, mas ela acabou sendo só um desamor no início da adolescência.

Aos 17, vivi bons momentos com uma morena meio ousada, que conversava comigo sobre livros, filmes, política e anjos. Tinha ela a arma de seduzir com o olhar quem quisesse – e, ainda pior, conhecia e sabia usar calculadamente esse diferencial de risco.

Ainda hoje existem surtos de aproximação entre eu e a loira que tem um jeito carinhoso tão grande quanto sua indecisão. Relacionamentos dos ambos vieram, passaram e a gente se manteve assim. Muito perto do sim sem nunca sair do não.

Romances relâmpagos e quase-romances atenuaram esse quadro de amores e desamores. Que parece não parar. Nunca.

A loira que fazia curso comigo e trocava olhares insinuantes, mas que eu nunca reuni coragem de chamar pra conversar; a japonesinha da faculdade, que me atrai pela estética enquanto a desconheço pelo interior; a garota da biblioteca que sempre sorri a me ver; a amiga com jeito de menina e que ia a faculdade comigo; meninas nas quais não reparo, as que não reparam em mim...

Cada uma delas guarda consigo uma história que deixou de ser escrita, e que atenua a importância de cada amor e desamor que tive. Importância, também, de continuar tentando, sem o temido medo de se apaixonar. Por que além de exalar amor, tenho muito a percorrer...

 

“Vai ficar feliz de ver que ele também mudou. Pelo jeito não descarta uma nova paixão” (Bidê ou Balde – Mesmo que mude).

 

 [História de alguns desamores - 2007]

 

§ sem melancolia; é só uma mera cronologia §

Postado por Jean Laurindo às 20h41
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BRASIL, Sul, GASPAR, Margem Esquerda, Homem, de 20 a 25 anos

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