Um brinde alternativo
A música no volume mínimo parece elevar ao máximo meus pensamentos. E aqui, na mesa de um bar qualquer, tomando uma bebida qualquer, sinto falta de uma companhia qualquer. Porém, a ausência que mais machuca é a do que não tive. Os momentos recordados são os não vividos; por mais idealizados que eles tivessem sido. Sinto falta de alguém pra lembrar; sinto falta do que sempre me faltou: Apagar o sonho e construir a realidade.
Sinto falta do teu perfume acordando meus instintos. Sinto falta de tua mão pra beijar, acariciar e envolver em meus dedos com a mais perfeita simetria. Sinto falta do teu abraço, do teu braço me prendendo junto a ti, da tua volúpia ao me ter nas mãos; tua impiedade a me ver aos teus pés.
Falta-me um sorriso teu. Um sorriso que me complete, que complete o pranto do meu peito. Quero te ver em minha frente novamente, mas da forma que me impedes de ver. Se despeça das boas maneiras e da cordialidade, rasgue esta máscara que lhe faz transparecer que nada houve entre nós e venha até mim. Venha a mim, pois ainda há algo a ser completado na minha mente cruel.
Sinto falta de luz, da luz viva do teu olhar cintilante. Aquele que me transportava para os teus pensamentos e que hoje já não me reconhece; teu olhar distante, que pra longe também levava teus pensamentos; teu olhar; teu olhar compenetrado, que insistia em tentar entender o que se passava comigo.
Sinto falta de cada pormenor, que ao teu lado se transformava em um estranho “pormaior”. Cada um deles é que demonstra o valor da união. Sinto falta das reclamações na entrada da balada; dos comentários na saída do cinema. Falta do teu beijo gelado durante um sorvete; falta do teu fogo que me acendeu pra vida. Falta da caminhada na praia, do ócio em frente à tevê, do orgulho de um simples passeio de mãos dadas, das flores sem explicação e de cada componente disto que hoje se tornou meu mundo a parte. Esses que como tantos outros, são momentos que só vivi quando imaginei.
Portanto, nessa data que, quer queira, quer não, é dedicada aos namorados, parabenizo alguém diferente. Olho
Parabéns, minha eterna companheira!
“Eu não tenho data pra comemorar, às vezes os meus dias são de bar em bar (...)”
(Barão Vermelho – O tempo não pára).
Definitivamente, sem mais...
Postado por Jean Laurindo às 21h20
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