Então é Natal...

Estamos, enfim, em época natalina, período em que ocorre – ou ao menos deveria ocorrer – uma intensificação da fraternidade, compaixão e valores que regem – ou deveriam reger – a vida da humanidade. Como de costume, as portas, casas, lojas e afins estão decoradas e aprontadas para a comemoração do nascimento de Cristo. O Trincheira Utópica não foge à essa regra e já colocou sua guirlanda na rede, a fim de entrar no espírito do Natal e compartilhar a reflexão e valorização humana que esta data sugere. É um enfeite simples, de quem não possui inúmeros conhecimentos em flash ou programas de construção de web-sites, mas com a delicadeza própria da época.

 

Juntamente com isso, aproxima-se o fim do ano, um ano que apesar de grandes eventos, foi, em sua maioria, uma grande sombra na história de cada um. Sendo assim, essa é, provavelmente, a última postagem do ano neste blog. Esse mero blogueiro comunica que esta em recesso e que só volta as piras e textos provenientes delas no ano de 2007, ano este que o blog deseja que seja propício para mudanças e realizações a todos, afinal, renovando-se as energias, renova-se à vida.

 

O litoral catarinense nos aguarda e dali, certaemente, muitas reflexões surgirão e serão relatadas aqui. A princípio, as comemorações desse iternauta ocorrerão em Gravatá (Navegantes – SC), com espaços para fugidas estratégicas. Quem por lá estiver, sinta-se à vontade para trocar uma idéia nesse período de descanso, reflexão e comemorações.

 

Assim sendo, como já dizia a cantora Simone em sua eternizada canção: “Então bom natal e um ano novo também”. Esses são os votos desse blogueiro à todos que contribuem e compartilham com esse espaço encantador de reflexões e piras.

Que 2007 nos proporcione ainda mais sentimentos semelhantes, com emoções, porém, mais voltadas ao alto astral e a realizações concretas.

 

Um grande abraço a todos e beijos a alguns, e até 2007.

Feliz Natal e Ótimo ano novo!

 

...

Postado por Jean Laurindo às 23h25
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E os canudinhos?!

         Dia desses estava fazendo um lanche na “Padaria do centro” da megalópole Gaspar – o nome correto é “Coração do Vale”, mas poucos referem-se a ela dessa forma –, sozinho, quando olhei para uma espécie de prateleira central e avistei algo que há muito não via. Biscoitos no formato de canudinhos, salgados, daqueles que costumava-se encher de maionese especialmente em aniversários de criança. Não sei vocês, mas eu adorava aquilo. Ainda gosto, embora faça anos que não os prove. O fato é que aquilo – ao menos na minha impressão – sumiu, como tantas outras coisas boas que jamais poderiam ter saído do cotidiano das pessoas, ou que, mesmo sem a modernidade embutida, tinham seu encanto. E foi sobre isso que passei a refletir (me pirar) enquanto terminava aquele lanche e até voltar pra casa.

        Acoplado à lembrança da música de Marcelo D2, em parceria com Zeca Pagodinho e Arlindo Cruz, “Saudade”, passei a relembrar algumas coisas que fazem falta até hoje, e que talvez tivessem parcelas de responsabilidade quanto à questão de completar o ser humano. “Saudade do que vivi, saudade do que eu nem vi”, dizia a canção. Fixando minhas recordações e memórias em aniversários infantis, senti falta da expectativa gigante que sufocava todos da mesma idade – não fugia a essa regra – nos instantes que antecediam o estouro daqueles balões enormes, cheios de balas, chocolates e guloseimas em geral. Aquela sensação não deixava margem para qualquer angústia ou aflição, independente do motivo. Ah, os chapeuzinhos dos “Power Rangers”, “Homem-Aranha” e cia. também deixam saudade.

        Saindo desse núcleo, lembrei dos programas infantis, que em outras épocas, de tão bons, atraíam até mesmo os adultos – vide Topo Gigio, Balão Mágico e afins. Hoje os desenhos de maior audiência e repercussão não têm humor, não têm história, não têm nada além de combates, violência e supremacia dos mais fortes. Nos tempos em que foto era uma palavra quase sagrada. Não se ousava ser fotografado se não estivesse “nos trinques” – usando a gíria correspondente – e altamente apresentável. Hoje, fotologs mostram fotos praticamente iguais, sendo tiradas apenas em dias diferentes, como se fosse um daqueles jogos de sete erros. Ah, está aí mais uma distração da época, muito boa e que estimulava o poder de percepção, que hoje só se encontra no rótulo de algumas latas de leite em pó. Aliás, leite em pó é algo quase alienígena para as novas gerações. Perder “preciosos” segundos misturando água, leite em pó, café em pó e tudo mais é algo impensável na era do “corre-corre”.

        A geração dos “PS2”, dos “X-Box”, não sentiu a emoção de jogar Atari, movimentando freneticamente a alavanca do controle – joystick, para os neo-jogadores – em sincronia com a cabeça, como se o seu corpo tivesse o poder, também, de controlar o jogo. Não se sentiu afoita jogando pek-man, vibrando a cada escapada do bichano que tudo devorava. Tá certo, os gráficos e a tecnologia não eram os mesmos. Mas o encanto, a meu ver, era maior. A geração do MP3 não perdeu minutos ajustando a agulha da vitrola na faixa determinada do LP, com receio de arranhá-lo. Nem mesmo eu passei por muitas dessas experiências, mas me refiro as coisas em geral, desprendendo-me de experiências pessoais – detesto pessoas que expressam as idéias apenas e tão-somente baseadas nelas. O biscoito “Fofy’s”, por exemplo, hoje é poeira na geração do “fast-food”. E não se enganem. Aquilo era bom. E quem não se lembra daquelas famosas “tortas de bolachas”, que frequentemente estavam presentes em algum aniversário, e foi recordada até mesmo hoje pela minha mãe. Hoje os congelados poupam tempo, absorvem saúde e diminuem o fascínio, natural em qualquer coisa que envolva tempo e carinho na preparação.

        Para um menino, um carrinho de rolimã não tem sentido algum. Diferentemente de gerações antigas, quando passava-se horas guiando e consertando um. Hoje não basta. Carrinho, só se for um Hot Weels, réplica perfeita da Ferrari Enzo, vermelho, e em tamanho quase real. Quanto mais real melhor. Depois de adulto, muito provavelmente, eles perceberão que, quanto mais real, mais desprezível fica. Não sei qual a ordem disso tudo, se o mundo impõe esse “espírito” nas crianças diretamente, ou se os pais são difusores dessa tendência. Mas o fato é que, às vésperas do natal, faz-se evidente uma transformação cada vez maior no espírito das coisas. Tudo isso foi trazido à tona, para mim, nesse momento, por simples canudinhos de maionese, é verdade. Mas sempre há algo que faz falta, que deixa saudades, que altera o sentido das coisas ou que, simplesmente, não deveria deixar de existir. Chego à conclusão que, ou sou um ser nostálgico, ou um ser anacrônico. Ou os dois. Mas repito, sempre há algo que nos faz falta. Você aí, lembra de alguma?!

 

“E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto, de tudo que eu ainda não vi.” (Legião Urbana – “Índios”).

 

 

Beijinho, beijinho; tchau, tchau!!!

Postado por Jean Laurindo às 00h04
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        A noite parece intensificar as chagas que às vezes se escondem de dia. Contudo, a sinceridade que emana nas horas escuras parece ser mais valiosa do que vidas hipócritas que se acumulam sob o sol. Não sei se é mais fácil viver de dia, mas é fato que a noite se aproxima mais da sinceridade. E é à noite, na(s) noite(s) em que suas lembranças voltam a me rodear, que essas crises retornam. Todos os conflitos e as adversidades parecem se esconder, ou quiçá nem existir. Minha mente é contrária, mas minhas mãos discam sue telefone quase que involuntariamente, como um filhote abandonado que busca alimento no seu ninho, já vazio. Ou a coragem, ou a racionalidade, ou os dois falam mais alto e me impeço disso tudo. Me privo de fazer o que os instintos me instigam. Sim, essa não é a primeira vez e certamente não será a última que isso acontece. As noites em que passo só são as noites que me encontro. Ou que me perco de vez. Certo é que enquanto você vive outros momentos intensos, daqueles que por instantes fiz parte, eu regresso ao lugar de sempre. Meu lugar particular, privado para a maioria dos humanos.

        Mas isso não é o fim. Não foi – infelizmente – em outros momentos, certamente não será agora. De fato, isso se atesta na manhã seguinte, quando percebo que nem sempre a verdade é escondida nas horas claras, e sim os instintos é que se afloram à noite. Porém parte dessa realidade permanece viva, incessantemente. Você não apenas perdeu seu brilho no meu horizonte, como ofusca o restante das estrelas. Uma espécie de esperança se esvaía nessas trevas. Como um apostador que vê suas fichas sendo dissipadas sem recompensa alguma, e então percebe que é apenas um jogo. Da mesma forma, eu continuo à beira dessa roleta, aguardando cada número, cada sorteio, à espera de ser contemplado nesse “game”, não importando às frustrações anteriores. A roleta segue em movimento, e eu continuo na espreita, aguardando...

 

 

“Pensamentos que deixei no meu travesseiro, deixarei de acreditar, serei eu mesmo.” (Reação em Cadeia – Dentro do silêncio)

 

Despeço-me e retiro-me.

Postado por Jean Laurindo às 18h09
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