Teu resumo

Estar com você é sempre igual. É sempre bom. O beijo sempre me estimula. Teu abraço sempre me traz a certeza. A pizza é sempre meio-a-meio. Meio milho, meio calabresa. O controle remoto é sempre rival. Esportes, não. O filme dá sono. O clipe é legal.

Ah, deixa em qualquer lugar. Hoje à noite eu só vim me declarar.

 

Você é mesmo a tampa da minha panela do Diabo.

Você é a outra metade da minha laranja mecânica.

Postado por Jean Laurindo às 15h28
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Fora da Folia

Mais entediado que um feriado de janeiro, eu busco, já afoito, um lugar pra ir. Se eu fosse normal, poderia ir ao cinema. Se não fosse sempre igual, eu até arrumaria um esquema. Se não fosse carnaval...

 

Ligo pra ela e sou intimado a um duelo. Em menos de meia-hora estou lá. Peço apenas um beijo e minhas armas: uma garrafa de 600 ml de água, uma barra de chocolate branco e braços dados. E começa o 1º torneio de carnaval de vídeo-game.

 

Não pra minha surpresa, apavoro o chocolate e ganho de forma inapelável. Tenho direito a um pedido. Devo ir embora. Anoto os números da vitória e o desejo que vou realizar em outra hora. Num outro dia. Então até mais. Volto assim que acabar a folia.

 

Ah, já ia esquecendo. Muito obrigado pela tarde sensacional. Eu mostraria a todos os foliões como pode ser divertido esse nosso carnaval.

 

 

 

“Como um rio sem janeiro; meu fevereiro sem carnaval” (Vanguart – Cosmonauta)

Postado por Jean Laurindo às 16h57
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Marketing Cult underground motherfucker!

O que está mais na moda? Ser Cult ou curtir sertanejo universitário? Todo sábado me faço o mesmo questionamento: um show do Vitor e Léo ou “E o vento levou...” no DVD? É difícil acompanhar tantas tendências. Não sei se é a globalização, a era da informação ou a humanidade em solidão. Mas sei que – assim como toda dupla caipira – já deu no saco esse povo que quer mostrar que sabe mais do que realmente sabe.

 

Ando farto dessa estória. Pessoas que se sentam uma vez numa mesa de um bar qualquer e já se sentem um ás da intelectualidade. Mal se aconchegam no banco de uma faculdade e já se tornam vanguardistas da cultura mundial. De política ninguém quer saber. Não dá, é só chatice e corrupção. Mas a nova banda underground do leste da Escócia é impossível não ouvir. Filme nacional? Não rola, só tem sexo e palavrão. American Pie ou Moulin Rouge é bem melhor de assistir.

 

“Vide a mim, estrangeirismos”. Podia até ser um lema. Mas de fato, não me cabe que quem luta pra parecer tão culto pise na língua do país de origem. É como rasgar uma nota de R$ 50 pra ganhar uma de US$ 5.

 

Veja o próprio nordeste. Parece tão bonito na voz de quem nunca parou pra estudá-lo. Tão belo que acabam por elogiar aspectos como sotaque ou carnaval. Todo o charme para por aí. Apesar de viver nesse cenário, não conseguem resistir à sonoridade de New Orleans.

 

Cultos de uma cultura só. E que não é a sua.

 

Pra mim, de nada adianta encher o peito e carregar um vinil debaixo do braço. Pra cima e pra baixo. Evangélicos fazem o mesmo com a Bíblia e não conseguem segui-la. Acham que essa é a graça. Não é. A grande sacada, pra mim, é ver Laranja Mecânica e não contar pra ninguém. É se emocionar no Benjamin Button. Rasgar o cartaz do Operação Valquíria e ignorar o Tiros em qualquer-lugar-desses.

 

Não tenho nada contra a cultura. De nenhum lugar. Na Ásia ou no Maranhão, ela é o que nos compõe. Mas o povo obcecado em se mostrar Cult, rindo da alienação, pra mim é tão alienado quanto à massa. Vive à parte de toda a população. Ignora a triste verdade do mundo que integra – querendo ou não.

 

Por isso, desejo à parte da juventude, produtos do marketing e da indústria cultural, uma boa viagem ao frio da Sibéria musical e cinematográfica. Um lugar sem lenços From UK, sem roupa retrô. Sem clássicos, sem releituras e sem Fantástico. Sem vinil, sem vitrola e sem Brasil.

 

 

“Antes de ler o livro que o guru lhe deu você tem que escrever o seu” (Raul)

Postado por Jean Laurindo às 11h37
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Fim de ano. Fim de papo.

Por algum tempo, desejei-a pro resto dos meus dias. Depois, quis só passar alguns momentos, brincando como não devia. Enfim me libertei, enxerguei o ridículo de toda relação, mas continuei no anseio de mais uma noite apenas. Pra deixar na carne o que ainda havia ficado na imaginação.

Agora acabou. Fim de papo. "Is the end, my only friend". Não quero mais nenhuma noite - nenhum instante.
Quero distância. E deixo vivo o asco que sinto pra que ele me mantenha afastado dela por todo tempo. Descobri-me bem melhor sem ela. E a amargura que resta em mim é só a que vem do mundo.

O que porventura restou, passou. É bom olhar pra frente e ver caminhos diferentes.

A roda gigante do mundo continua rodando. E é incrível como nela se vê como os humanos são pequenos. E param sempre no mesmo lugar.
Hoje, fora desse jogo, vejo melhor a mediocridade de quem permanece cego.



Meu horóscopo diz que o próximo ano virá com uma ótima fase, em todos os aspectos. Espero que ele esteja certo. Ou duvidarei ainda mais dessa história de signos.

Por já ter confiado em tanta gente que não merecia, não é tão absurdo dar uma chance à astrologia.

-

Começo 2009 tão diferente quanto encerro 2008. E com perspectivas. O que tem um gosto que já não lembrava.
A quem por aqui possa passar, faço votos de boas festas e ótimo novo ano.


"Um ditador deposto, marcas no rosto, um gosto amargo na boca. E a certeza de que o último dia de dezembro é sempre igual ao primeiro de janeiro" (Engenheiros do Hawaii | Anoiteceu em Porto Alegre)

Postado por Jean Laurindo às 11h08
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Ares de Anatomia

Meus simples olhos castanhos já têm milhagem de velho aviador. Já viram parte da História, assistiram muitas derrotas e contemplaram algumas vitórias. Meus olhos são minha fraqueza. Por já terem visto muito, me deixam tão confiante e ao mesmo tempo não enxergam o óbvio diante de mim.

 

Meu pobre olhar taciturno revela meu lamento pelo mundo. A dor que não cabe em meu peito transborda pelo olhar e invade outros corações. Minha sorte é meu repúdio e meu descaso com a maioria dos que me rodeiam. De toda forma eu sigo assim. Apenas como um mero homem que espalha o negativo.

 

Meu peito protege os pulmões que abrigam o novo dentro de mim. O ar que respiro não se contamina com o tempo que já vivi e com os desgostos que provei. É a renovação que o mundo me propõe. Meus sentidos intercalam vida e morte e me aproximam do fim. Ainda me sinto só e cansado, mas percebo fluxos de novidade dentro de mim.


Hoje eu não consigo mais lembrar de quantas janelas me atirei; e quanto rastro de incompreensão eu já deixei” (Lulu Santos – Tudo bem)

Postado por Jean Laurindo às 10h19
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Quase a mesma praia

O verão ainda não chegou, mas o mar segue mudando. Barra Velha parece mais triste. Os ventos de lá não chegam mais no interior. As pessoas de lá não interagem mais com as colônias. O sol não arde tanto em seu horizonte. Tudo isso talvez seja só aos olhos de quem vê. A praia ainda é quase a mesma. Mas Barra Velha parece mesmo mais triste.

 

Ele já não visita o litoral com a mesma freqüência. Não telefona durante a tarde pra jogar conversa fora. Não surpreende com uma visita. Não desfruta de refeições nem dos pratos que o preparavam toda vez que ele chegava – mesmo que sempre por poucas horas. Os dois já não ficam na Internet até de madrugada jogando conversa fora, discutindo sobre o tempo ou criticando a arrogância. Ela agora está mais perto dos pedantes. E ambos têm compromissos, não podem mais se dar tais luxos.

 

Mas também não se falam durante o dia. Não preparam surpresas. Não se abraçam. Não trocam afagos nem carícias nas mãos. Não vão à pizzaria ou ao trailer. Não lancham juntos. Ele insiste em se perguntar se foi mesmo a rotina que os roubou tudo isso. Vê a compreensão escapar e o conformismo vir em seu lugar. O tempo tem de ser mesmo tão cruel?

 

Os dois mudaram demais e ninguém assume a responsabilidade por isso. Agora é tarde demais pra ele tentar reparar qualquer dano. O estrago já está feito e ele só tenta conviver com isso nas horas que a consciência insiste em pesar. Se habituar com a solidão foi mais fácil do que a decepção que se renova todo dia quando a vê.

 

Mas ainda hoje, quando a nostalgia o abate, ele sente falta de alguém que o entendesse por um olhar. Alguém que dividisse a cama com ele de madrugada somente pra uma conversa sobre bate-papo na Internet ou relacionamentos que não duraram. Essa mulher, em específico, ele tem certeza: não foi mera projeção sua. Ele ainda enxerga esses traços nela nas poucas vezes em que a olha, antes que ela perceba. Antes que ele disfarce.

 

Barra Velha o parece mais triste. Toda aquela vida existiu. E talvez tenha só se perdido em algum espaço entre a crueldade do tempo e a intolerância das atitudes.

 

 

 

“É, morena,’ tá’ tudo bem...” (Los Hermanos – Morena)

Postado por Jean Laurindo às 10h13
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Frases de risco

Talvez resida no risco o remédio pro receio que insiste em me combater. Alguma luz pra iluminar o caminho, ou me guiar enquanto a cegueira se fortalece sobre mim. Por um instante queria experimentos pra estimular minha adrenalina, desfazer as ruínas que minha passividade quer tanto propor. Uma aventura que me apresente um belo horizonte, mas com a simplicidade de um lápis de cor.

 

Hoje eu só quero andar no meio-fio da ponte que corta o rio,

Sentir o arrepio de quem vê a vida por um triz,

Querendo ressuscitar na raiz a vontade real de caminhar feliz.

 

 

“Shyness is nice and Shyness can stop you from doing all the things in life you'd like to” – (The Smiths – Ask)

Postado por Jean Laurindo às 13h32
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Cada vez mais só. Cada vez...

Eu não estou nos planos dela. Não faço parte dos planos de ninguém. Sequer tenho planos. Levo a vida nesse eterno piloto automático. Vislumbrando horizontes que eu nem sei se chegarão. Ela tem projetos. Sabe o que quer e o que vai fazer. Domingo a tarde, daqui a três anos... Tem os principais trajetos da vida nas mãos. Eu? Não enxergo meus passos e sinto um peso nos ombros.

 

A comunhão nunca fez muito parte de mim. Sempre tive um lado introspectivo. Não gostava de falar sobre coisas muito profundas da minha mente e meus sentimentos. Mesmo assim já disse bastante. Em inúmeras vezes, falei até demais. Apesar de tudo isso, sempre tive um ciclo com o qual convivia. Independentemente da solidão que sentia, havia sempre alguns conhecidos com que eu achava que poderia contar.

 

Mas agora é diferente. Repudio a imensa maioria das pessoas que me rodeiam. Não quero falar, não quero ouvir. Se pudesse escolher andar sempre só, o faria. Eu e minhas músicas, sem ouvir nenhuma voz. Eu e meu futebol, sem ter que me explicar. Eu e minhas bebidas, sem ninguém pra me cobrar.

 

Falo cada vez menos sobre mim, e quero ouvir cada vez menos sobre os outros. Os amigos que possuo – e que volta e meia se mostram ausentes demais pra receber esse título – me despertam cada vez menos confiança. Saber que os tenho me conforta cada vez menos. Talvez esteja enxergando que estou cada vez mais só. Mas sempre foi assim.

 

Talvez não seja tão ruim. É só questão de se adaptar. O que já deve estar acontecendo. Só os instantes com ela me confortam. Não fazem eu me sentir tão fora de sintonia com o mundo assim. A verdade é que, juntos, somos dois reclusos das relações. O calor do corpo dela me acalma. E um abraço nessas horas conforta muito.

 

Mas não importa. Eu sei que não estou nos planos dela.

Postado por Jean Laurindo às 14h26
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BRASIL, Sul, GASPAR, Margem Esquerda, Homem, de 20 a 25 anos

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