Na quadra

A menos de um quilômetro de uma das avenidas mais movimentadas de Blumenau, o silêncio reina absoluto em meio ao espaço arborizado e olhares atentos fixos à quadra. O estampido provocado pelo contato da raquete profissional com a exígua bola amarela em disputa quebra a ansiedade e dá início a mais uma disputa do Aberto de Santa Catarina 2010, disputado na estrutura do Tabajara Tênis Clube.

PS: Lead rejeitado da matéria sobre o Aberto de Tênis de Santa Catarina, disputado em Blumenau. Quis publicar de algum jeito.

Postado por Jean Laurindo às 09h14
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Cena roubada

Fingimento e atuação são especialidades minhas. Graças a eles construí muitos dos laços que hoje conservo. Não é nenhum desafio ter várias facetas em horas distintas. Muito se consegue com um sorriso pouco sincero.

De tanto fingir ser algo que não sou fiquei confuso. Perdi o rumo que seguia e a origem dos sentimentos. Assumi vários personagens e guardei em mim todas as angústias. Foi só por um tempo...


Porque é sendo um ator que me relaciono com o mundo. Só assim eu consigo e até me divirto. Com sensações diferentes, brinco com o mundo e me descubro a cada nova cena. Interpretemos, então.

“Sou capaz de esquecer o meu nome, sou capaz de desaparecer” | Móveis Coloniais de Acaju – Lista de casamento

Postado por Jean Laurindo às 12h31
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Canção de amor ao contrário

Já pensei em te jogar pela janela do oitavo andar. Quando pensei na altura, resolvi fazer melhor e te atirar da sacada. Fingir que foi nada. Quis também comprar uma arma pra mirar em teu olhar esparso. Espalhar tua retina em migalhas na parede do teu quarto.

 

Não me leve a mal, meu bem, tudo isso vai ser só por amor

Não precisa ter medo, mas vou te seguir aonde você for

 

Em certos momentos penso em causar sofrimento longo e lento, retribuir o mal que foi me feito com planos mais violentos. Espancar até a morte ou amarrar atrás do carro, afogar, pôr fogo em todo teu corpo e aproveitar pra acender o cigarro.

Postado por Jean Laurindo às 09h59
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Rima infantil

Era uma vez um peixe que nasceu com muitos ideais / grandes sonhos imersos num aquário pequeno demais / queria romper todas as paredes laterais e bater as nadadeiras pra longe de qualquer cais.

Nunca foi compreendido e tanta repressão deixou o sonho morrer / Continuou naquela caixa de vidro imaginando uma forma melhor de viver

Por todo tempo ninguém percebeu nada de errado / Mas o marasmo sufocava o animal, já desmotivado / Numa noite não quis dormir, ficou ali completamente calado / De madrugada deu-se o fim daquele mar: ele morreu afogado.

Postado por Jean Laurindo às 11h15
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Certo domingo

Um olhar que transforma e me traz melancolia. Deve me remeter a tempos em que a solidão era minha companhia. Quando se vai deixa estragos. Menos mal, fica também a certeza de que dias depois a vida se acerta. Mostra que tudo vale a pena, mesmo que tudo não seja como é no cinema.

Postado por Jean Laurindo às 11h15
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Sinal vermelho

Era meio-dia. Saí às pressas do trabalho para almoçar. Quando voltasse, saberia, ainda teria alguns pseudoespecialistas para entrevistar e matérias para concluir. Por isso, saí com pressa. Logo depois da segunda curva, antes que eu pudesse pensar em acelerar mais fundo e passar no amarelo, o sinal se fechou. E ela passou.

Com um vestido curto, mas não vulgar. Vinha até a metade da coxa, mais ou menos. Preto, com uma tira branca. Óculos escuros encobriam-lhe os olhos. Não eram daqueles gigantes, que parecem padronizar todas as jovens da cidade. Mas eram elegantes. Os passos lépidos eram guiados por tamancos baixos, cor-de-rosa, sem chamar muito a atenção. Antes que eu pudesse medi-la por completo, já me virara as costas, permitindo-me, agora, somente avistar os cabelos lisos, longos e morenos. Tenramente morenos.

Nas mãos, trazia uma sacola de supermercado. Não muito cheia. Passei a pensar se ela era daquelas independentes, que jamais permitiriam que um homem carregasse seus pertences; ou se apenas não havia encontrado ninguém para compartilhar o peso. Não me parecia orgulhosa, tampouco abandonada. Quando tive mais dúvidas sobre ela, que a essa altura já se dispersara, vi-me novamente apressado. O semáforo abriu. Mais um perfil acabava de ficar pra trás.



"Só acredito no semáforo..." (Vanguart)

Postado por Jean Laurindo às 13h15
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Delongas

Início de ano é sempre assim. Aquele ritmo lento, ainda apegado às festas, sem muita pressa pra fazer ou falar. Nesta fraca intensidade, fica ainda mais difícil escrever ou dialogar. Quando estou ocupado, minha mente viaja entre frases de efeito e contestações ultrapassadas. Quando paro para escrever, mergulho num profundo nada.


Emocionalmente estou bem. Sinto-me leve e com vontade de pôr ideias em prática. Há tempo não me sentia assim. Algum remédio deve estar fazendo efeito. As sensações são boas, mas não consigo elaborar algo que chegue ao fim. Deve ser a água do copo ao meu lado – um só milagre a transformaria em uísque ou vinho. Na bem da verdade, começo a pensar que meu silêncio é fruto de já não ter o que dizer.


Abro o ano tentando inaugurar novos rumos e melhor sorte. Se eu conseguir manter a trajetória do final do ano anterior, já estarei satisfeito. Agora, apenas aguardo. Ocioso. Contente. Só preciso de mais encontros e enfrentarei, enfim, minha vida de frente.

Não há com o que se preocupar. Só por hoje me darei o direito de romper o silêncio mesmo sem ter o que falar...

Postado por Jean Laurindo às 11h32
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Teu resumo

Estar com você é sempre igual. É sempre bom. O beijo sempre me estimula. Teu abraço sempre me traz a certeza. A pizza é sempre meio-a-meio. Meio milho, meio calabresa. O controle remoto é sempre rival. Esportes, não. O filme dá sono. O clipe é legal.

Ah, deixa em qualquer lugar. Hoje à noite eu só vim me declarar.

 

Você é mesmo a tampa da minha panela do Diabo.

Você é a outra metade da minha laranja mecânica.

Postado por Jean Laurindo às 15h28
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BRASIL, Sul, GASPAR, Margem Esquerda, Homem, de 20 a 25 anos

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